Em prisão preventiva há quase dois anos, e faltando duas semanas para a data em que deveria começar seu julgamento, o ex-senador nacionalista Gustavo Penadés concedeu uma entrevista ao Semanário Búsqueda.
A extensa reportagem foi realizada pelos jornalistas Federico Castillo e Macarena Saavedra, que se deslocaram até a prisão de Florida, onde o político está detido.
De longa carreira como legislador, Penadés caiu em desgraça após a então militante nacionalista e trans Romina Celeste Papasso denunciá-lo por abuso sexual anos atrás, quando ainda era menor e tinha uma identidade masculina. Depois, como é de conhecimento público, as denúncias se acumularam até alcançar um total de vinte e duas.
Durante boa parte da entrevista, Penadés referiu-se aos detalhes do caso, afirmou ser inocente e negou ter cometido abusos contra menores de idade.
No entanto, na longa conversa houve ocasião para abordar o mundo político e, em particular, o comportamento daqueles que durante anos foram seus correligionários, desde o momento da denúncia até hoje.
“Sou branco, vou morrer branco, e meu partido é o Partido Nacional, ao qual devo tudo”, esclarece de forma inicial. No entanto, depois aponta o fato de que, diante das denúncias contra ele, “a 'apagada' foi geral, salvo algumas exceções notáveis que falaram com minha família”, entre as quais menciona Luis Lacalle Pou e Luis Alberto Heber.
“Eu não voltei a falar com nenhum deles. Entendo que os crimes geram rejeição”, admitiu, mas depois apontou que “há alguns que politicamente se aproveitaram da minha queda”.
Questionado sobre quem seriam esses nacionalistas, preferiu não mencionar nomes.
“Não importa. Mas a 71 se desfez, então, tudo isso foi para algum lugar. Há alguns que emitiram julgamentos de valor nas redes sociais ou em algum lugar que realmente não vou esquecer jamais. Gente que se comportou de maneira miserável”, afirmou.
Nesse trecho da entrevista, os entrevistadores sugeriram que Sebastián Da Silva poderia ser um deles. Sem afirmar nem negar, Penadés limitou-se a comentar: “Não fui eu quem disse isso”, para depois criticar outras personalidades do Partido Nacional.
“Veja, Graciela Bianchi, Beatriz Argimón. Que necessidade havia de, depois de terem retirado meus privilégios, me expulsarem do Senado? E quais foram os argumentos? Porque se fala em 'conduta inadequada'. Qual é minha conduta inadequada se não fui condenado? Ou seja, violaram flagrantemente a Constituição apenas para parecerem bem, porque eu já estava sem privilégios”, considerou.
“Não guardo rancor de ninguém. Mas eu teria agido, como sempre agi, de outra maneira. E muitos deles sabem que com eles agi de outra maneira. E muitos sabem que sei coisas, que nunca vou revelar, mas que deveriam ter muito mais cuidado ao falar. Mas não é uma ameaça”, advertiu.
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