Nas últimas horas, a Polícia identificou um dos autores intelectuais do atentado a tiros perpetrado durante a madrugada de domingo contra a sede do Instituto Nacional de Reabilitação (I.N.R.).
Conforme informamos, dois indivíduos passaram de moto pelo local, situado nas ruas Cerro Largo e Andes, e dispararam contra a fachada. Antes de fugir, lançaram uma pedra com um bilhete amarrado a ela: “Olho por olho. A próxima vai para o seu carro com sua família dentro”, lia-se no papel. A ameaça seria dirigida a Ana Juanche, diretora do I.N.R., que conta com custódia policial permanente.
Nas últimas horas, a Polícia conseguiu avançar nas investigações e identificou um dos autores intelectuais do atentado. Segundo informou o jornalista Gabriel Pereyra esta manhã no Informativo Sarandí, trata-se de Rodrigo Cabrera Hernández, integrante da quadrilha criminosa Los Albín, que está recluso no Módulo 5 do Comcar. Ele havia sido detido em uma operação na qual a Polícia localizou 240 quilos de pasta base, presumivelmente propriedade de Los Albín.
Segundo Pereyra, Cabrera Hernández teria pago a policiais para que lhe entregassem celulares dentro da cela. Em uma ocasião, chegou a pagar 300.000 pesos por um aparelho que depois foi confiscado em uma revista. “Estava irritado por isso”, apontou o repórter.
Essa informação apoiaria a hipótese de que o atentado seria uma manifestação de presos de alto perfil, descontentes com transferências e revistas na prisão.
Além disso, Pereyra informou que as mensagens interceptadas pela Polícia sugeriam que o ataque ao I.N.R. estava planejado para sexta-feira, mas acabou sendo realizado na madrugada de domingo.
Segundo o cronista, a hipótese de represália pelas revistas e transferências na prisão não esgota a investigação. Por exemplo, ele apontou que outro suposto autor intelectual é um preso recluso no presídio de Libertad, que aparentemente “não tem nada a ver” com o que acontece no Comcar.
Para Pereyra, o dado relevante da compra de um celular por parte de um preso a um policial é “a ponta do iceberg” de um grande problema, que seria “a conivência entre presos e policiais” nos centros de detenção.
Nesse sentido, ele apontou que em uma recente revista no Comcar foram encontrados oito quilos de cocaína, quantidade grande demais para que fosse introduzida de forma oculta por familiares de presos.