Contenido creado por Gerardo Carrasco
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Do arquivo

“Comeram humanos!”: revelações do caso Epstein “ressuscitaram” clássico da conspiração

02.02.2026 10:18

Lectura: 4'

2026-02-02T10:18:00-03:00
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O Departamento de Justiça dos Estados Unidos publicou na sexta-feira, 30 de janeiro de 2026, um novo conjunto de documentos vinculados ao caso do financista Jeffrey Epstein, acusado de tráfico de menores e abuso sexual. Epstein morreu em 2019 enquanto estava detido no Centro Correcional Metropolitano (MCC) de Nova York.

Entre os arquivos agora disponíveis para consulta pública, consta um e-mail enviado a Epstein em 24 de abril de 2009, cujo conteúdo inclui a frase: “Onde você está? Você está bem? Adorei o vídeo de tortura”.

A divulgação desses registros reativou o debate público e midiático, especialmente nas redes sociais, onde circularam novas especulações a partir dos nomes mencionados nos arquivos. Entre as pessoas citadas estão o produtor Steve Tisch, o empresário Howard Lutnick e Andrew Mountbatten-Windsor.

Nos documentos também aparecem nomes de figuras mexicanas, como o empresário Ricardo Salinas Pliego, a viúva do empresário Emilio Azcárraga e o presidente honorário da Telmex, Carlos Slim. A menção deste último voltou a colocar em circulação um episódio ocorrido no final de 2009 no norte do México, no qual se faz alusão ao seu filho, Carlos Slim Domit.

Quem era Gabriela Rico?

Gabriela Rico Jiménez ganhou notoriedade pública em agosto de 2009 após um incidente registrado em frente a um hotel de luxo em Monterrey, Nuevo León. No episódio, que viralizou na época e voltou a circular nos últimos dias, ela clamava por sua “liberdade” e fazia graves acusações contra figuras públicas.

Nas imagens, Rico Jiménez, de 21 anos, aparece visivelmente alterada, com sinais de angústia e movimentos descoordenados, enquanto faz diversas declarações diante do pessoal de segurança do estabelecimento. No vídeo, ela é vista fazendo acusações que envolviam integrantes da elite empresarial e política.

Durante o episódio, ela acusou o filho do empresário Carlos Slim de esconder informações sobre supostos assassinatos e mencionou especificamente o então secretário de Governo, Juan Camilo Mouriño Terrazo, falecido em 2008 em um acidente aéreo. “Murillo não deveria ter morrido assim”, afirmou.

Ela também afirmou que essas pessoas fariam parte de uma rede criminosa na qual teriam sido cometidos atos de canibalismo. “Comeram humanos, nojo, comeram humanos! Eu não sabia de nada... dos assassinatos sim, mas que tinham comido humanos. Humanos!”, gritou durante o incidente.

Na época, a mídia do país asteca classificou o episódio como um “escândalo em via pública” e apontou que a mulher estava passando por uma crise de saúde mental. Policiais intervieram no local e procederam à sua detenção.

Desde então, não há informações oficiais confirmadas sobre seu paradeiro. Na internet, circulam versões não verificadas que indicam que ela teria sido transferida para fora do país e internada em um centro psiquiátrico em Buenos Aires, Argentina. O tema continua sendo objeto de debate em fóruns e redes sociais, onde usuários comparam testemunhos e estabelecem conexões entre diferentes fatos.

Com o passar do tempo, o vídeo de Rico — às vezes descrita como “uma supermodelo” — tornou-se um verdadeiro clássico nos fóruns sobre teorias da conspiração.

Canibalismo e execuções

Agora, o vídeo voltou a viralizar devido ao fato de que, entre as abundantes informações reveladas sobre o caso Epstein, consta uma denúncia sobre assassinato ritual e canibalismo.

Segundo o documento EFTA00147661, o FBI entrevistou uma suposta vítima de estupro por parte de George H.W. Bush, ex-presidente dos Estados Unidos. A vítima relatou que, enquanto estava em um iate de propriedade de Epstein, "presenciou como homens afro-americanos mantinham relações sexuais com mulheres brancas loiras até fazê-las sangrar".

"[Ele] Foi vítima de uma espécie de sacrifício ritual em que lhe cortaram os pés com uma cimitarra [sabre de lâmina curva e um só fio], mas sem deixar cicatrizes", diz o texto. Além disso, menciona-se que a vítima foi testemunha de esquartejamento de bebês, aos quais "extraíam os intestinos e algumas pessoas comiam as fezes desses intestinos", segundo relata a agência de notícias RT.

No entanto, até o momento, não há evidências que confirmem uma relação real entre o caso Epstein e o episódio protagonizado por Gabriela Rico Jiménez, tratando-se de associações surgidas a partir de especulações nas redes sociais.