Contenido creado por Gerardo Carrasco
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Que haja paz

Uso pacífico: silo de mísseis da Guerra Fria se transforma em data center subterrâneo

Nos anos 60, abrigou armas nucleares americanas. Agora, livre de todo potencial bélico, enfrenta uma nova missão.

13.04.2026 14:35

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2026-04-13T14:35:00-03:00
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Um antigo silo de mísseis nucleares da Guerra Fria, construído para abrigar armamento de destruição em massa, está sendo transformado em um centro de dados subterrâneo voltado para o desenvolvimento de inteligência artificial.

Segundo informações do Business Insider, o projeto é liderado pelo empresário australiano Nik Halik, que adquiriu a instalação — localizada no estado do Colorado, nos Estados Unidos — por mais de 10 milhões de dólares. Desde então, ele lidera um processo de reconversão que combina restauração estrutural com novos usos tecnológicos.

O complexo, construído na década de 1960, fazia parte do sistema de mísseis Titan I, projetado para lançar ogivas nucleares de longo alcance durante o auge da tensão entre os Estados Unidos e a União Soviética. Esses mísseis, com cerca de 30 metros de altura, podiam atingir alvos a mais de 9.600 quilômetros.

Uma estrutura projetada para resistir a tudo

O silo desce cerca de 50 metros abaixo do solo e é composto por várias áreas: salas de lançamento, centros de controle e setores de energia.

Sua construção segue padrões extremos de engenharia militar. Em algumas áreas, as paredes de concreto reforçado foram projetadas para suportar pressões de até 6.800 quilos por centímetro quadrado, uma capacidade pensada para resistir a ataques ou explosões próximas.

Durante sua operação original, o local contava com sistemas autônomos de energia à base de combustível diesel, o que permitia funcionar sem conexão à rede elétrica. Segundo estimativas, o combustível armazenado poderia abastecer cerca de 2.000 residências por aproximadamente duas semanas.

De instalação militar a infraestrutura tecnológica

Após se tornarem obsoletos em meados dos anos 60, os silos Titan I foram desmantelados e vendidos. Neste caso, a instalação teve usos posteriores ligados a contratantes de defesa antes de ser abandonada.

Agora, a reconversão busca aproveitar duas características principais do local: sua segurança estrutural e sua temperatura natural. No subsolo, o complexo se mantém em torno de 11 °C mesmo no verão, uma condição ideal para evitar o superaquecimento de servidores.

Esse fator é relevante, já que em alguns centros de dados mais de 30% do consumo energético é destinado exclusivamente à refrigeração.

O plano inclui substituir os sistemas de combustível por pequenos reatores nucleares, com o objetivo de garantir um fornecimento energético constante para o processamento intensivo que a inteligência artificial exige.

Riscos, vestígios e usos alternativos

O processo de recuperação não está isento de dificuldades. Em várias áreas do complexo foram detectados materiais perigosos, como amianto, mercúrio e vestígios de substâncias tóxicas, o que exige medidas de segurança rigorosas durante as tarefas de restauração.

Ao mesmo tempo, o local conserva elementos originais da época, incluindo restos do centro de controle de onde teriam sido realizados lançamentos nucleares, assim como documentos relacionados a protocolos militares.

Além do uso tecnológico, o empresário projeta outros destinos para diferentes setores do silo, entre eles um museu e até mesmo espaços recreativos, como uma boate.

Uma tendência em expansão

A iniciativa faz parte de uma tendência mais ampla: o uso de infraestruturas subterrâneas para armazenamento e processamento de dados. Esse tipo de ambiente oferece vantagens em termos de segurança, estabilidade térmica e isolamento.

Nesse sentido, antigas instalações militares — projetadas para resistir a cenários extremos — encontram uma segunda vida na economia digital, sendo reconvertidas em nós estratégicos para o funcionamento de novas tecnologias.