Só uma picadinha

Uma única dose e mais proteção: o que muda com a nova vacina contra o pneumococo

Desde julho, o Uruguai usa a PCV20, que cobre mais variantes da bactéria. A partir dos 65 anos, basta uma dose e ela é gratuita.

26.10.2026 07:00

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Em um ano em que a palavra meningococo entrou em muitas conversas familiares, por causa do aumento de casos e da ampliação da vacinação para crianças e adolescentes, é fácil deixar passar despercebido que outra bactéria, de nome parecido demais e que pode provocar meningite, também merece atenção. Trata-se do pneumococo, e desde 1.º de julho o Uruguai conta com uma nova vacina para prevenir as infecções que ele causa.

Por determinação da Direção-Geral da Saúde do Ministério da Saúde Pública (MSP), a vacina pneumocócica conjugada 20-valente, conhecida como PCV20, passou a ser a de referência no Esquema Nacional de Vacinação e substituiu as que eram usadas até então, a PCV13 e a PPSV23. Do ministério, apresentaram a mudança como uma aposta em “mais proteção e um esquema de vacinação mais simples”, e destacaram que ela “responde à mais recente evidência científica, ampliando a cobertura contra essa bactéria”.

Quedoenças o pneumococo causa

Streptococcus pneumoniae, o nome científico do pneumococo, pode provocar desde quadros comuns como otite média e sinusite até infecções graves como pneumonia, meningite ou bacteremia, que é a infecção do sangue, segundo a descrição da Organização Mundial da Saúde.

A vacina, de acordo com o MSP, “ajuda a prevenir complicações graves como pneumonia ou meningite”.

Cada vacina pneumocócica protege contra um número determinado de sorotipos, que são as diferentes variantes da bactéria. Segundo explicou o infectologista Jorge Facal em declarações ao Canal 5, a PCV20 incorpora sete sorotipos a mais do que a vacina conjugada usada até agora, e esses sorotipos estão particularmente associados a “formas mais graves de doença pneumocócica invasiva, com maior letalidade, com surtos e até com resistência aos antimicrobianos”.

A decisão de atualizar o esquema foi tomada em outubro de 2025 pela Comissão Nacional Assessora de Vacinas, que considerou a situação epidemiológica do país, os dados de sorotipos processados pela Direção de Laboratórios de Saúde Pública e a evidência internacional disponível.

Pneumococodepois dos 65: o que mostram os dados

Até a semana epidemiológica 35 de 2026, o boletim do MSP registrava 17 casos de meningite por pneumococo no país e três mortes. Sete desses casos correspondiam a pessoas de 65 anos ou mais, e os três óbitos ocorreram nesse grupo. O ministério esclareceu que os números podem mudar à medida que o registro melhora e que refletem apenas a meningite, sem incluir o restante das infecções causadas pela bactéria.

Foto: Presidencia

Foto: Presidencia

“Que os pacientes recebam a vacinação é particularmente importante para diminuir não só as complicações fatais, mas também outros efeitos a médio e longo prazo”, explicou Facal.

Para esse grupo etário, o esquema se resume a uma única dose de PCV20. Ela é aplicada sem necessidade de indicação médica e é gratuita, assim como o restante das vacinas incluídas no esquema nacional.

Segundo o MSP, a vacina “é inativa, segura e muito bem tolerada pelo organismo”.

Quem devese vacinar contra o pneumococo

O MSP detalhou os três grupos que recebem a PCV20:

  • Bebés, a los 2, 4 y 12 meses de edad. Es el esquema que Facal describió como “2 + 1”: dos dosis iniciales y un refuerzo al año.
  • Personas de 65 años o más, con una única dosis.
  • Personas con condiciones de riesgo, con indicación médica. Facal mencionó entre ellas a quienes están en tratamiento inmunosupresor, tienen implantes cocleares o son receptores de trasplantes, y a quienes tienen enfermedad renal crónica, EPOC, asma, enfermedad cardíaca o hepatopatías.

Para quem já havia começado a se vacinar com as vacinas anteriores, a mensagem do ministério foi direta: “Se você já recebeu doses anteriores, elas continuam válidas e você não precisa começar do zero”. As crianças que iniciaram o esquema com PCV13 o continuam com PCV20, sem reiniciar a série.

Nos adultos com vacinação pneumocócica prévia, por outro lado, a conduta pode variar conforme o histórico e a situação clínica, por isso o MSP recomendou consultar o posto de vacinação ou o centro de saúde para saber qual esquema corresponde em cada caso.

Embora gere confusão por causa da semelhança do nome, o que a PCV20 não cobre é o meningococo. As duas bactérias podem causar meningite, mas são microrganismos distintos, e cada uma tem suas próprias vacinas dentro do esquema nacional, de modo que uma não substitui a outra.