Contenido creado por Gerardo Carrasco
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O sonho do celta

Tudo pronto para o Halloween: qual é a origem da festa que une terror e diversão?

30.10.2025 11:39

Lectura: 6'

2025-10-30T11:39:00-03:00
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Nesta sexta-feira celebra-se o Halloween, uma festa que fará com que muitas crianças saiam às ruas fantasiadas e pedindo doces. Revisamos brevemente a história dessa celebração, seu simbolismo e o longo caminho que a levou dos celtas às prateleiras dos nossos supermercados.

A celebração do Halloween em nosso país sempre encontrou certa resistência por parte do público, embora nos últimos anos sua aceitação tenha crescido sem parar. As abóboras, as fantasias de bruxa e as teias de aranha estão cada vez mais presentes em lojas, casas e locais de trabalho.

Apesar de algumas tentativas de dar um toque local a essa festa, trata-se de uma celebração tipicamente anglo-saxônica.

Centenas de crianças baterão às portas amanhã com a seguinte pergunta: "doces ou travessuras?" Nesse caso, você (se não for um dos que bate à porta) deverá entregar balas ou algum tipo de doce, correndo o risco de uma travessura se não o fizer.

Como chega ao nosso país uma celebração considerada tipicamente anglo-saxônica e que não está enraizada na história do nosso país?

Além das explicações fáceis, que apontam para o oportunismo comercial ou até mesmo para a invasão de costumes estrangeiros e a globalização, trata-se de uma celebração histórica que chega inevitavelmente banalizada e desprovida de seus significados originais. Oferecemos um pouco de sua história e simbologia.

Celtas curtos

O Halloween tem sua origem na história dos celtas e em uma festividade conhecida como Samhain, que literalmente significa "fim do verão".

Nessa festividade celebrava-se o fim da temporada de colheita e era considerada como o "Ano Novo celta", que começava com a "estação escura".

EFE/EPA/LUONG THAI LINH

EFE/EPA/LUONG THAI LINH

Assim, os antigos celtas acreditavam que a linha que unia este mundo ao outro se estreitava com a chegada do Samhain, permitindo que todos os espíritos atravessassem essa fronteira. Dessa forma, enquanto os familiares falecidos eram convidados nesse dia, os espíritos malignos eram afastados. Daí a origem do uso de fantasias e máscaras, que eram utilizadas para espantar os maus espíritos.

Os celtas, espalhados pelas ilhas britânicas, parte da França, Bélgica, Alemanha e a atual Galícia na Espanha, celebravam então, na noite de 31 de outubro, um ano novo. No festival, despediam-se do sol e anunciavam a chegada da temporada de frio e escuridão. Naquela noite, Samhain, Senhor da Morte e Príncipe da Escuridão, vinha para aprisionar o sol e convocar os espíritos dos mortos. Isso explica bem a origem do nome "A Noite de Todos os Mortos", uma das denominações populares do Halloween em espanhol. De onde vem então o "todos os santos"?

A palavra "Halloween" começou a ser usada pela primeira vez no século XVI e provinha da variação escocesa de "All Hallows' Eve", que significa "véspera de todos os Santos".

Os santos vão marchando

Há cerca de 1.400 anos, o Papa Bonifácio IV dedicou um templo cristão em homenagem a "Todos os Santos", uma festividade que era celebrada em maio, mas que o Papa Gregório III posteriormente mudou para o dia 1º de novembro.

Quando um novo Papa (Gregório IV) estabeleceu que a festa fosse celebrada universalmente, a importância que ela adquiriu fez com que seus preparativos começassem na véspera, no dia 31.

"All Hallow's Eve" foi o termo adotado pela cultura anglo-saxônica para chamar essas celebrações, que traduzido para o português significa "véspera santa". Com o passar do tempo, a pronúncia foi se deformando: de "All Hallowed Eve" passou para "All Hallowed Even" e, finalmente, para "Halloween".

SAFIN HAMID / AFP

SAFIN HAMID / AFP

Dessa forma, a festa presta homenagem às suas origens tanto pagãs quanto cristãs, que hoje se entrelaçam nas culturas dos diversos países que a celebram, passando das clássicas abóboras dos Estados Unidos aos pequenos esqueletos açucarados do México.

O tenebroso, o insólito, o obscuro, grotesco e macabro sempre despertam no homem sensações familiares e atemporais, vinculadas não apenas ao medo. São também objeto de poesia e celebração desde o gótico ao romantismo.

Parte do sucesso desse ritual reside nisso, e em países como os Estados Unidos adquire uma importância dificilmente compreensível para nós.

A festividade chegou em 1840 aos EUA através dos imigrantes irlandeses, e foram eles que difundiram o costume de esculpir os "Jack-o'-lantern" (a abóbora gigante oca com uma vela dentro), inspirada na lenda de "Jack, o Avarento".

TIMUR MATAHARI / AFP

TIMUR MATAHARI / AFP

No entanto, a festa só começou a ser celebrada massivamente em 1921. Naquele ano foi organizado o primeiro desfile de Halloween em Minnesota e depois outros estados seguiram o exemplo. A festa adquiriu uma popularidade progressiva nas décadas seguintes.

Simbologia

PEDIR DOCES: Acredita-se que começou na Europa com um costume do século IX. No dia 2 de novembro, os cristãos costumavam percorrer os vilarejos e pedir "bolos de alma", que eram pedaços de pão com doces. Quanto mais recebiam, mais prometiam rezar pelos parentes mortos dos doadores. Também se acredita que o percurso infantil em busca de guloseimas provavelmente esteja ligado à tradição neerlandesa da Festa de São Martinho.

COR LARANJA: simboliza a cor das velas usadas para a cerimônia dos mortos.

ABÓBORAS COM VELAS: símbolo da alma condenada a vagar pela Terra como um espectro. Procede do conto de um personagem chamado Jack, a quem não foi permitido entrar nem no céu nem no inferno. Forçado a percorrer o mundo como fantasma, Jack colocou um carvão aceso em uma abóbora oca para iluminar seu caminho à noite. Embora se diga que as bruxas utilizavam os crânios das vítimas humanas e os adornavam com velas em seu interior, a origem das abóboras foram os nabos, que eram esvaziados para introduzir um fogo em seu interior e iluminar o caminho dos mortos que vinham à terra naquela noite.

MÁSCARAS: Na antiga Europa, era costume de alguns povos usar máscaras para espantar os espíritos malignos, algo que costumava ocorrer quando eram perseguidos por alguma calamidade. Outra teoria afirma que procedem da ideia dos druidas celtas, segundo a qual os participantes de uma cerimônia deviam usar cabeças e peles de animais para adquirir a força do ser vivo que representavam.