Tudo está bem quando termina bem

Seus rins falharam e ela precisava de um transplante: a ajuda veio de uma pessoa inesperada

Ela é professora de radiologia e contraiu uma grave doença renal. No dia em que iniciou a diálise, fez uma postagem nas redes sociais, e isso a salvou.

19.10.2026 10:44

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Sonia Leonardo é portuguesa e, em meados da década passada, atuava como professora de Radiologia  no hospital King's College, em Londres, Reino Unido.

Um de seus alunos era Ali Dawson, morador do bairro londrino de Tooting, que sempre a lembrou como uma professora gentil, que dedicava tempo aos alunos. Cinco anos depois de deixar suas aulas, decidiu doar um rim a ela ao saber que ela sofria de uma doença renal avançada. O transplante foi bem-sucedido e, desde então, o vínculo entre os dois se transformou em uma relação familiar.

Em 2016, Sonia estava em uma fase avançada de insuficiência renal devido a uma doença  policística e havia começado a fazer diálise.

Foi então que publicou uma mensagem nas redes sociais sobre sua situação. Ali, que morava em Tooting, soube do que estava acontecendo com sua antiga professora e entrou em contato com ela para se oferecer como possível doador. Tudo deu certo, e nos últimos dias ambos narraram sua experiência à imprensa britânica, com o objetivo de dar visibilidade e incentivar a doação de órgãos.

"Entrei em contato com Sonia e perguntei: 'O que está acontecendo?'. E ela me contou sobre sua situação. Perguntei se poderiam fazer o teste em alguém para ver se era compatível, e ela me respondeu: 'Isso não é algo que se pergunte a qualquer um'", lembrou Ali em declarações recentes ao veículo britânico MyLondon.

Sonia, por sua vez, contou ao mesmo veículo que não tinha ninguém que pudesse se submeter aos testes de compatibilidade. A proposta de seu antigo aluno a surpreendeu.

"Lembro que disse que não tinha ninguém para fazer o teste. E sempre vou me lembrar disso: ele me perguntou: 'Qual é o seu tipo sanguíneo?' Descobrimos que ambos éramos do tipo sanguíneo O. Imediatamente, ele disse: 'Eu farei o teste'".

A professora relatou que fazia cinco anos que não via Ali e que, quando ele se ofereceu para doar, não conseguia parar de chorar. "Nos vimos alguns dias depois. Eu estava chorando e não parava de dizer a ele que ele não precisava fazer isso, porque era algo muito importante para se pedir", lembrou.

Um transplante que mudou suas vidas

Ali insistiu em fazer os exames e os resultados confirmaram que ele era compatível com Sonia. Em maio de 2017, ela recebeu o rim de seu antigo aluno em um transplante realizado no hospital Guy's and St Thomas', que foi bem-sucedido. Sonia chama carinhosamente o órgão de "Mini-Ali".

Difusión

Difusión

"Lembro de Sonia como minha professora e ela sempre foi muito gentil. Ela passava muito tempo conosco e eu sempre me lembrava disso. Havia algo no meu coração que me impulsionava a fazer isso. Agora a vejo como minha irmã", afirmou Ali.

A recuperação também fortaleceu a relação entre eles. Ambos permaneceram internados no mesmo hospital, embora em andares diferentes, e mantiveram contato durante o processo. Inclusive fizeram uma aposta: quem se recuperasse primeiro teria que ir visitar o outro.

Em 2027, celebrarão o décimo aniversário do transplante.

A importância da doação de órgãos

A história de Sonia também é marcada pela experiência de sua irmã gêmea, que sofre da mesma doença renal policística. A mulher recebeu um transplante, mas o órgão parou de funcionar depois de quatro anos e ela teve que voltar à lista de espera.

"Como paciente e cuidadora de uma pessoa com doença renal, é muito emocionante. Minha irmã recebeu um transplante, mas o rim falhou. Ela teve que voltar à lista de espera depois de quatro anos. Eu tive muita sorte. Meus rins funcionam e tenho consciência desse presente de vida que recebi", afirmou Sonia.

A doação de órgãos apresenta desafios particulares no Reino Unido. Segundo o NHS Blood and Transplant, um terço das pessoas que aguardam um transplante renal pertence a minorias étnicas, entre elas as comunidades negras e asiáticas. Além disso, pessoas negras podem esperar, em média, seis meses a mais para receber um transplante do que outras pessoas no país.

A compatibilidade depende de fatores como o tipo sanguíneo e os tecidos, e pode ser mais difícil encontrar doadores compatíveis para determinados grupos populacionais.

Por isso, Ali e Sonia esperam que sua história contribua para divulgar informações sobre a doação e incentive mais pessoas a conversar sobre o tema com suas famílias.

Sonia mantém um vínculo cotidiano com seu antigo aluno, com quem fala todos os dias. "Ele é como meu irmão. Depois da minha gêmea, é a segunda pessoa mais importante da minha vida. O fato de ele ter feito isso por mim e de saber pelo que minha irmã está passando me faz me sentir realmente sortuda por tê-lo", afirmou.

O hospital Guy's and St Thomas' também lançou o podcast Kidney Kinship, que reúne experiências de doadores e receptores de rins, além de depoimentos de profissionais de saúde e líderes religiosos, com o objetivo de promover a conversa sobre a doação de órgãos. Um de seus casos mais destacados é justamente o de Ali e Sonia.