A reconstrução inicial do acidente ferroviário ocorrido em Adamuz, Espanha, começou a ser questionada a partir dos testemunhos de passageiros que viajavam no trem do serviço Iryo, um dos envolvidos. Em concreto, afirmam que não houve uma colisão frontal entre os comboios, mas sim um roce lateral em alta velocidade, que resultou no desequilíbrio e posterior descarrilamento de vários vagões.

Com o passar das horas e o surgimento de relatos diretos de pessoas que estavam a bordo dos trens acidentados, ganhou força uma versão diferente da divulgada inicialmente. Segundo esses testemunhos, o Iryo sofreu abalos quando um trem da Alvia passou pela via adjacente em alta velocidade, houve um roce entre ambos e, como consequência, vários vagões acabaram descarrilando. Essa hipótese permitiria explicar algumas das incógnitas ainda sem solução, entre elas o áudio do maquinista do Iryo, no qual ele não faz referência a uma colisão nem menciona o outro trem, apesar de que a versão inicial indicava uma colisão poucos segundos depois.

As dúvidas surgiram precisamente após a divulgação dessa gravação. No áudio, o condutor do Iryo não menciona um impacto nem alerta sobre a presença iminente de outro comboio, apesar de que, segundo a primeira reconstrução, o Alvia teria colidido apenas 20 segundos depois. Para alguns passageiros, esse silêncio só se explica se a colisão frontal nunca ocorreu.

Vários dos viajantes que estavam no Iryo começaram a relatar publicamente o ocorrido, segundo reportou o jornal local El Diario. Um deles, que afirmou estar viajando no vagão 5 e apresentou seu bilhete como prova, descreveu o momento do incidente: 'Poucos segundos após notar abalos e ver como o vagão 6 balançava, o Alvia passou em alta velocidade. Não foi uma colisão, foi um roce. Nessa velocidade, os dois trens se desequilibraram e acabaram descarrilando.' Outro passageiro concordou plenamente com essa versão e afirmou: 'Foi exatamente assim. É impossível que o maquinista percebesse. Nem nós percebemos no momento. Notamos o balanço, vimos o outro trem passar e depois o descarrilamento. Mas quando nos tiraram, o Alvia já não estava lá.'

As testemunhas destacaram que a diferença entre uma colisão frontal e um roce lateral é crucial para dimensionar a gravidade do acidente. 'Se tivéssemos sido atingidos de frente, não estaríamos aqui', expressou um deles. De acordo com esse relato, 'o contato teria ocorrido entre os vagões 6 ou 7 do Iryo, muito longe da cabine do condutor. Entre esse ponto e o maquinista haveria até 70 metros de distância, o que explicaria por que o condutor não menciona nenhum impacto em sua comunicação. Eu estava sentado de frente para o vagão 6. Vi tudo', insistiu o passageiro do vagão 5.

Os passageiros também indicaram que se colocaram à disposição da investigação para fornecer seus testemunhos e contribuir para o esclarecimento do ocorrido no acidente de Adamuz, um fato que continua gerando questionamentos e revisões sobre sua dinâmica.