“Por que o que é mais gostoso é o que mais nos faz mal?”. Essa frase, que costuma passar pela cabeça de muitos quando precisam restringir o consumo de doces, snacks, refrigerantes ou bebidas açucaradas, tem sua correspondência em um estudo científico.
Os ultraprocessados fazem parte da nossa dieta diária e estão em crescimento nos últimos anos. Muitas vezes por conveniência, outras porque nem pensamos nisso e tantas outras porque são muito saborosos. É que eles são projetados para serem tentadores, práticos para comer quando estamos correndo de um lado para o outro e também altamente palatáveis (essa palavra que virou moda e significa que algo é agradável ao paladar). Mas não são nutritivos e, em muitos casos, são prejudiciais.
Um estudo liderado pela Universidade de Monash (Austrália), publicado no blog Perspectivas Acadêmicas da Oxford University Press, mostrou uma consequência alarmante do consumo de ultraprocessados: a aceleração do envelhecimento biológico.
Diferentemente da idade cronológica, que é simplesmente o número de anos vividos, a idade biológica refere-se à “idade que uma pessoa aparenta ter, com base em diversos biomarcadores moleculares”.
Os alimentos ultraprocessados são formulações industriais que contêm ingredientes que geralmente não são usados na cozinha de casa, como óleos hidrogenados, xarope de milho com alta frutose, realçadores de sabor e emulsificantes. O estudo encontrou uma associação significativa: para cada aumento de 10% no consumo desses alimentos, a diferença entre a idade biológica e a cronológica aumenta cerca de 2,4 meses.
O impacto na saúde e na mortalidade.
A pesquisa destaca que aquelas pessoas que estão no quintil mais alto de consumo (onde esses alimentos representam entre 68% e 100% da ingestão) são biologicamente 0,86 anos mais velhas do que aquelas no quintil mais baixo (39% ou menos da ingestão).
“A importância dessas descobertas é enorme, já que nossas previsões mostram que para cada aumento de 10% na ingestão total de energia proveniente do consumo de alimentos ultraprocessados, há um aumento de quase 2% no risco de mortalidade e de 0,5% no risco de doença crônica em dois anos”, disse a bioquímica nutricional Barbara Cardoso, professora titular do Departamento de Nutrição, Dietética e Alimentação da Universidade de Monash.
Para colocar em termos práticos, o relatório aponta: “Assumindo uma dieta padrão de 2000 calorias por dia, adicionar cerca de 200 calorias extras de alimentos ultraprocessados —o que equivale aproximadamente a uma porção de 80 gramas de nuggets de frango ou uma barra pequena de chocolate— poderia fazer com que o processo de envelhecimento biológico avançasse mais de dois meses em comparação com o envelhecimento cronológico”.
Ou seja, até mesmo aquelas pessoas que “comem de forma saudável” são prejudicadas pela inclusão de ultraprocessados em sua alimentação diária. “Os adultos com maior consumo de alimentos ultraprocessados tendiam a ser biologicamente mais velhos”, afirma o estudo e aponta que “essa associação é em parte independente da qualidade da dieta, o que sugere que o processamento dos alimentos pode contribuir para a aceleração do envelhecimento biológico”.
Razões para o desgaste.
O artigo científico aponta duas causas principais por trás desse fenômeno:
- Deficiência de nutrientes: Os ultraprocessados geralmente são pobres em vitaminas, minerais e antioxidantes essenciais para manter a saúde celular.
- Aditivos químicos: Contêm conservantes e aditivos artificiais que podem promover inflamação e alterar os processos metabólicos.
- Produtos químicos nas embalagens: Para sua conservação, muitas vezes são utilizadas embalagens que contêm bisfenol A (BPA), que tem sido associado a diversos problemas de saúde. Essa substância está sendo cada vez mais controlada no Brasil e no resto do mundo, devido aos seus efeitos.
Dicas práticas para evitá-los.
- Aumentar el consumo de alimentos integrales y mínimamente procesados, como frutas, verduras, cereales integrales, nueces y semillas.
- Leer las etiquetas y prestar atención a las listas largas de ingredientes desconocidos. Conviene identificar si están los siguientes ingredientes para evitarlos: aceites hidrogenados; jarabe de maíz de alta fructosa (JMAF); potenciadores del sabor; emulsionantes; colorantes y conservantes artificiales. Estos aditivos químicos que promueven la inflamación y alteran los procesos metabólicos naturales del cuerpo.
- Cocinar en casa permite un mayor control sobre los ingredientes y los métodos de cocción.
- Limitar los alimentos precocinados y congelados que ya vienen listos para comer.