Contenido creado por María Noel Dominguez
Conteúdo em português

Nas melhores famílias

Itália multa Armani em 3,5 milhões de euros por irregularidades trabalhistas

01.08.2025 07:32

Lectura: 2'

2025-08-01T07:32:00-03:00
Compartir en

A Autoridade Garantidora da Concorrência e do Mercado (AGCM) da Itália impôs uma multa de 3,5 milhões de euros ao grupo de moda Giorgio Armani SpA e à sua filial GA Operations, por práticas trabalhistas irregulares vinculadas à subcontratação opaca de parte de sua produção, especialmente na elaboração de bolsas e acessórios de couro.

Segundo o comunicado oficial emitido nesta sexta-feira, a AGCM concluiu que as empresas emitiram declarações falsas ou confusas sobre seu compromisso com a ética e a responsabilidade social. Apesar de se apresentarem como uma marca alinhada com valores de sustentabilidade, descobriu-se que Armani terceirizou processos sem garantir condições dignas para os trabalhadores.

A investigação, que começou em 2024, identificou graves deficiências nos ateliês dos subcontratados, entre elas máquinas sem sistemas de segurança, ambientes insalubres e emprego de trabalhadores em situação irregular.

“Ambas as empresas estavam cientes das irregularidades”, afirma o relatório. Como prova, foi citada uma inspeção policial na qual um funcionário da GA Operations reconheceu visitar mensalmente um dos ateliês investigados para realizar tarefas de supervisão.

O órgão destacou que Armani teria utilizado seu discurso de responsabilidade social como estratégia de marketing, apelando para consumidores sensíveis aos valores éticos e ambientais. Isso incluiria tanto o nome de seu site corporativo ("Valores Armani") quanto documentos internos que buscavam reforçar essa imagem pública.

No entanto, segundo o regulador, essa narrativa contrastava com as práticas empresariais. “O respeito pelos direitos e pela saúde dos trabalhadores não corresponde ao teor das declarações de responsabilidade ética e social emitidas por Giorgio Armani SpA e GA Operations SpA”, concluiu a AGCM.

A resposta de Armani

Em um comunicado oficial, a casa de moda italiana expressou sua “ amargura e surpresa ” diante da decisão do órgão regulador e adiantou que recorrerá da sanção ao Tribunal Administrativo Regional.

“Temos a certeza de que sempre agimos com a máxima correção e transparência em relação aos consumidores, ao mercado e às partes interessadas, como demonstra a trajetória do grupo”, afirmou a empresa.

O caso reabre o debate sobre a responsabilidade das grandes marcas de luxo em suas cadeias de fornecimento, especialmente quando suas estratégias de marketing se apoiam em valores éticos que depois não se refletem em suas práticas empresariais.

Com informações da Europa Press