Em Montevidéu, ir da zona de Portones até a praça Independência leva quase uma hora de ônibus. O mesmo tempo demora o trajeto para ir do Paso Molino até a rambla de Pocitos. Por outro lado, para ir do Intercambiador Belloni até o Centro, são cerca de 45 minutos. No entanto, o mesmo trajeto, de carro, leva metade do tempo.
Sobre os tempos de deslocamento no transporte público da cidade e os planos para melhorar esse serviço, Montevideo Portal entrevistou o diretor de Mobilidade da Intendência de Montevidéu, Germán Benítez, que descreveu os três pilares da estratégia do governo departamental.
Benítez também falou sobre as obras analisadas na avenida 18 de Julho, no âmbito de um corredor metropolitano desde El Pinar até Ciudad Vieja; adiantou que até 2027 será possível pagar nos ônibus com código QR, e detalhou a perspectiva da administração sobre as ciclovias.
“No diagnóstico da campanha eleitoral, identificamos três razões pelas quais a mobilidade está na situação atual no departamento. Em primeiro lugar, a quantidade de veículos que há nas ruas. Em segundo lugar, a ordem com que nos movemos; as regras do jogo dentro do espaço viário. E, em terceiro lugar, o estado da infraestrutura”, disse Benítez.
“Sobre a quantidade de veículos, não é razoável se opor ao carro, digamos, ideologicamente, mas sim tentar gerar as condições para que as pessoas utilizem o carro exclusivamente para aquelas coisas que outros modos não resolvem de maneira adequada. Identificamos a quantidade [de veículos] como um fator, mas entendemos que devemos trabalhar mais sobre o ordenamento e sobre o estado da infraestrutura”, apontou.
Quanto à infraestrutura, além dos planos do corredor metropolitano impulsionado junto ao Ministério de Transporte e à Intendência de Canelones, a comuna planeja uma iniciativa de manutenção de ruas e um plano de calçadas. Por sua vez, quanto ao ordenamento do trânsito, apontam medidas para “tentar adaptar os fluxos de veículos para que a convivência seja a melhor possível no espaço viário”.
tiempo y frecuencia
Então, como seria possível reduzir a diferença entre o tempo que leva para se deslocar de carro e de ônibus?
A IM aponta determinadas medidas de “ordenamento” em diferentes níveis, o que seria complementado com uma visão “mais eficiente” do sistema de transporte em conjunto com o Ministério de Transporte e a Intendência de Canelones.
“Nos últimos tempos, com o crescimento da frota de veículos, o que se percebeu é que o modo de transporte que perdeu mais tempo, digamos, foi o ônibus. O transporte público é o modo de transporte que perdeu mais tempo comparado com o carro, com a moto, com a bicicleta. Nós entendemos que isso requer, por um lado, tudo o que estamos fazendo em matéria de ordenamento, de respeito ao corredor exclusivo para ônibus; tem a ver com dar mais agilidade aos ônibus. A proibição de estacionar por sentido horário — na entrada ao centro das 7h às 14h e na saída das 14h às 20h — também vai nesse sentido do corredor da direita, onde o ônibus, normalmente, se há um circuito em que há um ônibus, entra e sai do trânsito de forma permanente. Essas disposições vão nos permitir dar agilidade ao transporte público”, respondeu Benítez.
Além disso, o dirigente disse que, para os cidadãos, o principal tema de preocupação é a frequência dos ônibus. Diante disso, assegurou que a otimização do uso da tecnologia é uma ferramenta chave para dar melhores respostas a essa demanda.
“Devemos ter aplicativos que sejam razoavelmente eficientes na gestão, que nos permitam gerir o tempo em casa ou no escritório antes de sair para o ponto de ônibus. Depois, sim, é certo que sentimos que há uma margem a ser reduzida no transporte público, que pode ser perfeitamente reduzida e isso deve ser complementado com uma melhoria nas frequências, nos horários, nos trajetos, que torne o transporte público algo mais eficiente em comparação ao que existe hoje e também mais eficiente no que as pessoas valorizam ao entrar em um carro. Depois é, bem, eu tenho que ver onde vou estacionar, tenho que me preocupar com o trânsito. Bem, todas essas variáveis entram em jogo na escolha da pessoa e entendemos que podemos atuar sobre elas”, apontou.
Consultado especificamente sobre se a IM já tem definida uma modalidade de veículo a ser utilizada no projetado corredor da avenida Itália e avenida Giannattasio, o diretor da IM respondeu que, neste momento, o que está sendo avaliado é o traçado, e não o modo que será utilizado.
“Entendemos que, por uma questão de custos em relação à eficiência, vai prevalecer o ônibus articulado. Mas não estamos, neste momento, com uma preferência específica por um modo ou outro, porque entendemos que, se o sistema for montado da forma correta, será indiferente o modo que se utilize”, afirmou.
las alternativas para 18 de julio y las bicisendas
Diante da pergunta se a comuna tem algum plano específico para a avenida 18 de Julho, Benítez disse que “no âmbito deste projeto está sendo prevista, obviamente, uma reformulação” da principal avenida da cidade.
“Dependendo do que for acordado em relação ao soterramento, por exemplo, de que parte o ônibus vai passar por baixo da terra, isso libera a superfície para dispor dela da maneira que se desejar. Há várias iniciativas, porque além disso o soterramento pode ser total ou parcial. No caso de ser parcial, há várias extensões que estão sendo analisadas. Então, entendemos que o funcionamento eficiente do troncal também implica retirar ônibus das [ruas] laterais, com o que o transporte privado talvez possa ser desviado em boa medida para as laterais. Isso também vai liberar espaço na 18 de Julho para pensar na ampliação das calçadas ou na disposição de uma ciclovia contínua de ponta a ponta pela 18 de Julho. Todas essas coisas estão em jogo e vão fazer parte do desenho final do projeto que será apresentado”, explicou Benítez.
Sobre as ciclovias, o diretor de Mobilidade disse que, desde o governo departamental, estão “satisfeitos com o uso que as pessoas estão dando”, e apontou que irão trabalhar em um plano que consiga uma maior conexão dos trechos existentes para dar melhor uso a essa rede.
“Devemos promover o fechamento dessas redes de ciclovias e, por outro lado, atender com ciclovias ou bicicletários zonas que hoje em dia não estão sendo bem atendidas, como é o caso do oeste de Montevidéu, que não tem uma ciclovia ou bicicletário contínuo para se deslocar, e que tem demanda porque essa é uma zona onde muitos ciclistas vêm trabalhar no Centro”, afirmou.
Sobre a alternativa para essa área da cidade, ele afirmou que estão “trabalhando no desenho”.
“Há alguma opção que já descartamos, que era circular pelos acessos de Montevidéu de bicicleta. Não parecia seguro. A realidade é que, hoje em dia, os ciclistas muitas vezes vão pelos acessos, o que gera um problema de segurança importante, porque vão ao lado de carros que circulam a pelo menos 75 quilômetros por hora. É algo bastante complexo de gerenciar. Estamos tentando trabalhar em um projeto que permita que essas pessoas se sintam atraídas pelo projeto e que mudem o trajeto sem se afastar muito do que é o traçado dos acessos. Então, estamos trabalhando para ter a melhor solução para apresentar”, detalhou.
pagos con celular y con qr
Os ônibus de transporte da capital estão realizando, há algum tempo, um processo de substituição das máquinas de emissão de bilhetes, que incorpora nova tecnologia, o que também permitirá novas possibilidades aos usuários em relação aos métodos de pagamento do transporte público.
A respeito disso, Benítez afirmou que o objetivo é que as novas máquinas estejam instaladas antes do final do ano nas 1.530 unidades que estão nas ruas. Além disso, ele definiu prazos e detalhou como será implementada a recarga de bilhetes por meio de celulares e, mais adiante, o pagamento por aproximação por meio de um código QR.
“Nosso primeiro objetivo é que todas as empresas tenham a máquina. E depois sim trabalhar no desenvolvimento que permita pagar, por exemplo, com QR dentro do ônibus. Isso é algo que pode ser implementado, entendemos, para 2027, em torno de 2027; agora, estamos tentando facilitar que as pessoas comprem bilhetes com o celular. Isso é um passo prévio que entendemos que deve estar disponível em breve”, disse o dirigente.
“Estamos trabalhando na melhoria do aplicativo Como Ir para incorporar novas funcionalidades, e uma delas será o pagamento através do aplicativo, então entendemos que já para o próximo ano podemos estar oferecendo alguma facilidade e generalizando a incorporação de uma nova forma de pagamento para 2027”, acrescentou.
“No caso do QR, seria por aproximação. No caso da compra [por meio do aplicativo], é com o cartão STM, mas comprando através do celular. Você poderá carregar o cartão com o celular, carregá-lo no momento, aproximá-lo como é usado hoje em dia, e nunca ficaria sem bilhetes porque teria a possibilidade de carregá-lo pelo celular ou de casa”, explicou.