Os sindicatos e os partidos de esquerda franceses criticaram nesta sexta-feira a proposta de autorizar os empregados, especialmente do comércio de proximidade, a trabalhar no 1º de maio, dia feriado e símbolo na França da luta sindical.
A legislação trabalhista estabelece que "o 1º de maio é feriado e não trabalhável", embora preveja que um padeiro ou um florista possam abrir nesse dia, mas sem seus empregados, sob pena de multas de até 1.500 euros.
Os legisladores de centro e direita, com o apoio do governo, buscam mudar a lei para permitir que os empregados do comércio de proximidade e de espaços culturais trabalhem nesse dia, se decidirem de forma "voluntária". Receberiam o dobro do salário.
"Não queremos mexer na conquista do 1º de maio", mas sim "dar segurança ao marco existente", assegurou nesta semana o ministro do Trabalho, Jean-Pierre Farandou, que anunciou o objetivo de aplicar a mudança, se aprovada, ainda este ano.
Segundo os sindicatos, essa lei permitiria que pelo menos 1,4 milhão de empregados a mais trabalhassem no 1º de maio. Seus opositores consideram, além disso, que não será respeitada a questão do voluntariado, já que os empregados se sentirão obrigados a trabalhar.
"O voluntariado não existe", criticou Natalie Huyghe, empregada de jardinagem de 57 anos e filiada ao sindicato CGT. "Se isso funcionar, vai se estender a todos os setores", acrescentou Hadjia Djebbar, de 62 anos, durante um protesto perto do Parlamento.
A proposta de lei já foi aprovada uma primeira vez no Senado e, nesta sexta-feira, superou mais uma etapa na Assembleia Nacional (Câmara Baixa), não sem polêmica.
Diante da possibilidade de que não fosse votada devido às 140 emendas apresentadas, os partidários da mudança decidiram, de forma tática, rejeitar sua própria lei sem debate para assim acelerar o trâmite parlamentar com vistas à sua aprovação antes do final do mês.
"É uma punhalada nas costas de milhões de trabalhadores e trabalhadoras", denunciou a líder do sindicato CGT, Sophie Binet.
Sua colega da CFDT, Marylise Léon, criticou na televisão TF1 a "ladainha de que os franceses trabalhariam menos que os outros". "Isso não é verdade. Na França há 11 feriados. Em outros países da Europa, há 14, 15", acrescentou.
Essa tradicional celebração nasceu em 1º de maio de 1886 com o chamado à greve de sindicatos norte-americanos para exigir uma jornada de trabalho máxima de oito horas diárias. Durante esse movimento, vários grevistas e policiais morreram.
AFP
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