Contenido creado por Gerardo Carrasco
Conteúdo em português

O naufrágio da história

Fim do mistério: encontram o lendário navio do capitão Cook, desaparecido há 250 anos

20.06.2025 11:22

Lectura: 3'

2025-06-20T11:22:00-03:00
Compartir en

Nascido na Inglaterra em 1728, o capitão James Cook foi um dos navegadores e exploradores mais renomados de seu tempo. O aventureiro ganhou notoriedade especialmente por três expedições pelo Oceano Pacífico, durante as quais estabeleceu o primeiro contato registrado dos europeus com a costa oriental da Austrália e as ilhas do Havaí, assim como a primeira circunavegação da Nova Zelândia.

Sua primeira e arriscada travessia por esse oceano foi comandando o HMB Endeavour, navio que foi protagonista de inúmeras aventuras, mesmo após sair do comando de Cook.

Em 1775, já rebatizado como Lord Sandwich, o navio foi requisitado pela marinha britânica como transporte de tropas para sufocar a revolta independentista que resultaria no nascimento dos Estados Unidos. Nesse contexto, passou do Pacífico ao Atlântico e foi deliberadamente afundado na batalha de Rhode Island, em agosto de 1778, com o objetivo de usá-lo como obstáculo para o desembarque de tropas francesas que chegavam em apoio aos rebeldes.

Agora, o navio foi oficialmente identificado, colocando fim a um mistério que perdurou por mais de 250 anos.

Investigação arqueológica

A identificação oficial do Endeavour foi o resultado de uma investigação arqueológica de 25 anos que incluiu mergulhos e uma análise detalhada do naufrágio, conhecido como RI 2394. Os arqueólogos compararam a estrutura do navio com os planos históricos da embarcação original, observando notáveis coincidências nas dimensões, na localização do mastro e nos detalhes de construção.

“O tamanho de todas as peças de madeira é quase idêntico ao do Endeavour, e estou falando de milímetros, não de polegadas”, declarou Kieran Hosty, arqueólogo do Museu Marítimo Nacional da Austrália (ANMM, na sigla em inglês), em uma entrevista ao jornal norte-americano The New York Post.

Imagen tridimensional del pecio. ANMM

Imagen tridimensional del pecio. ANMM

A análise da madeira utilizada na construção do casco revelou sua origem britânica, o que reforçou ainda mais a identificação. Além disso, os danos estruturais e o tipo de reparos encontrados coincidem com os relatos históricos de intervenções realizadas no Endeavour antes de sua participação na guerra.

Apesar das evidências sólidas, a identificação não foi unânime. O Projeto de Arqueologia Marinha de Rhode Island (RIMAP), parceiro na investigação, contestou a divulgação feita pelo museu australiano em 2022, alegando descumprimento de contrato e conclusões prematuras. O ANMM, por sua vez, reconheceu a contribuição da equipe norte-americana, mas manteve sua posição com base no volume de evidências arqueológicas e documentais.

Um arqueólogo do ANMM, James Hunter, lembrou que, como foi deliberadamente afundado, o navio dificilmente conteria artefatos identificáveis como placas ou sinos.

“Qualquer objeto de valor teria sido retirado desse navio antes de ser afundado”, explicou. Ainda assim, os dados acumulados ao longo das décadas apontam firmemente para a resolução definitiva de um dos maiores enigmas navais da história.