A recente morte de uma criança provocou indignação na Índia e reacendeu um antigo debate sobre as consequências potencialmente fatais da superstição, especialmente quando esta interfere no atendimento médico das pessoas.
O fato ocorreu há duas semanas na aldeia de Pitampur, no estado indiano de Uttar Pradesh, no norte do país.
Lá, um menino de 13 anos identificado como Amit foi mordido por uma cobra venenosa. Em vez de buscar assistência médica, os pais do menino o levaram a um curandeiro local, que recomendou um “remédio” absurdo e perigoso: que amarrassem Amit a postes de bambu e submergissem seu corpo no rio Ganges para que as águas sagradas do rio o curassem.
Segundo informaram meios locais, a família aplicou esse método por 12 horas, até perceber que o menino havia perdido a consciência. Só então decidiram procurar um médico, mas já era tarde demais.
Após receber a notícia da morte do menino, seus pais jogaram o corpo novamente no rio, em uma busca desesperada por uma ressurreição milagrosa que — obviamente — não aconteceu.
Shashank Chaudhary, médico do centro de saúde local, explicou em uma coletiva de imprensa que ele e seus colegas realizam frequentemente campanhas de conscientização sobre picadas de cobra e insistem na importância de buscar imediatamente um hospital, pois cada minuto conta.
A morte evitável de Amit se tornou um conteúdo viral no país e provocou indignação generalizada.
Muitos internautas exigiram que os pais do jovem infortunado fossem responsabilizados perante a justiça por sua negligência. Por enquanto, as autoridades locais não informaram sobre ações nesse sentido.