Ventos de mudança

EUA: democratas obtêm ampla e histórica vitória e tomam redutos de Trump

O partido no poder perdeu o controle do poder legislativo e sofreu derrotas em estados onde costuma dominar.

04.11.2026 06:52

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Uma onda azul, a cor dos democratas, varreu nesta terça-feira os republicanos do controle do Congresso dos Estados Unidos e derrubou redutos conservadores como o Texas, em um duro castigo ao presidente Donald Trump, que enfrentará os dois últimos anos de seu mandato com uma oposição capaz de bloquear sua agenda.

As pesquisas antecipavam uma clara vitória democrata na Câmara dos Representantes e uma disputa mais apertada no Senado, mas o castigo ao ocupante da Casa Branca e ao seu partido foi maior do que o previsto e dissipou as principais incógnitas da noite eleitoral antes do que muitos previam.

Os democratas recuperaram a Câmara Baixa com uma maioria que poderia chegar a 244 cadeiras, muito acima das 218 necessárias para controlar o plenário.

E, embora os republicanos tenham resistido com dificuldades em redutos como a Flórida, a oposição também alcançou seu objetivo mais difícil: virar o Senado, com vitórias tão históricas quanto simbólicas no Texas, Kansas, Carolina do Norte, Carolina do Sul, Iowa e Ohio.

Redutos republicanos caem

No Texas, o pastor presbiteriano e educador James Talarico tornou-se o primeiro democrata eleito para o Senado federal por esse estado em 38 anos, ao derrotar Ken Paxton, procurador-geral do estado e uma aposta pessoal de Trump.

O golpe não terminou aí. O governador republicano Greg Abbott, que aspirava a um quarto mandato consecutivo, caiu diante da democrata Gina Hinojosa, que se tornará a primeira latina a ocupar o cargo e põe fim a mais de três décadas de domínio conservador.

Os resultados no Texas apontam para uma possível mudança no voto latino, que em 2024 contribuiu para a vitória de Trump com um apoio histórico e que agora lhe virou as costas.

No Kansas, outro reduto republicano, Adam Hamilton quebrou uma sequência de quase um século sem que um democrata conseguisse ser eleito para o Senado federal por esse estado.

A nova maioria na Câmara dos Representantes permitirá à oposição bloquear a agenda legislativa de Trump, abrir investigações e impulsionar processos de impeachment contra o presidente ou membros de seu gabinete, embora uma eventual destituição exigisse uma maioria de dois terços no Senado.

O controle da Câmara Alta dará ainda aos democratas poder para condicionar decisões de política externa e bloquear a confirmação de candidatos à Suprema Corte.

Trump enfrentará assim um Congresso hostil, capaz de submeter sua administração a escrutínio e complicar a reta final de sua presidência, sem possibilidade de disputar um terceiro mandato nas eleições de 2028.

Trump se distancia do revés

Em plena noite eleitoral, o mandatário tentou se distanciar da derrota com uma mensagem em sua plataforma Truth Social na qual atribuiu o revés republicano ao fato de seu nome não constar na cédula e chegou a criticar Abbott, um de seus principais aliados, por se afastar dele.

"Eu não me candidatei às eleições e, se o tivesse feito, teríamos vencido por uma margem esmagadora! Obrigado por sua atenção a este assunto", escreveu.

No entanto, Trump se envolveu em primeira pessoa durante toda a campanha, com comícios quase diários, e contribuiu para transformar as eleições em um referendo sobre sua figura: chegou a pedir a seus apoiadores que fossem às urnas pensando nele.

Sua impopularidade acabou sendo um peso para os republicanos, atingidos pelo descontentamento com a inflação, o encarecimento da gasolina decorrente da guerra do Irã, o impacto das tarifas e sua contestada política migratória.

Mais tarde, em declarações ao jornal The New York Times, o presidente adotou um tom mais conciliador: reconheceu que os resultados apontavam para uma vitória democrata e mostrou-se disposto a "trabalhar" com a nova maioria do Congresso.

Um gesto pouco habitual em um mandatário que nunca aceitou sua derrota para Joe Biden nas presidenciais de 2020 e que, antes destas eleições, havia advertido que só aceitaria os resultados se as eleições fossem "limpas".

EFE