Contenido creado por Felipe Capó
Conteúdo em português

Leite estragado

Collective Shout: a campanha que busca censurar e retirar “jogos sexualizados” da Steam

29.07.2025 20:46

Lectura: 3'

2025-07-29T20:46:00-03:00
Compartir en

Uma campanha impulsionada pelo grupo australiano Collective Shout conseguiu em poucos dias o que parecia impensável: que processadores de pagamento como Visa, Mastercard e PayPal forçassem plataformas de videogames como Steam e Itch.io a eliminar centenas de títulos com conteúdo sexual ou explícito. A medida gerou um efeito dominó que acendeu alertas sobre uma crescente censura digital em nível global.

A organização enviou em 14 de julho uma carta a várias empresas de pagamento, exigindo que deixassem de oferecer serviços a plataformas que hospedassem jogos que, segundo sua denúncia, continham “violência sexual, incesto ou estupros”. Em resposta, a Steam modificou sua política interna e removeu dezenas de jogos. Um dia depois, a Itch.io diretamente eliminou toda sua categoria de jogos para adultos, afetando até mesmo conteúdo que não estava na denúncia original.

“Foi uma decisão urgente para proteger nossa infraestrutura de pagamentos”, explicou a Itch.io, que pediu desculpas por não ter conseguido notificar previamente os desenvolvedores afetados.

A censura não se limitou à Austrália. Paralelamente, o Reino Unido ativou seu Online Safety Act, que exige filtros de idade, habilita bloqueios de conteúdo e já resultou na formação de uma força policial para monitorar opiniões políticas. Até mesmo a Wikipedia foi pressionada a se autocensurar.

Nos Estados Unidos, o Kids Online Safety Act (KOSA) —um projeto de lei semelhante— foi apresentado no Congresso. Enquanto isso, na Europa foram aplicadas restrições de idade a sites web, e os buscadores foram bloqueados no “modo seguro” em algumas regiões.

O caso do videogame Mouthwashing, removido da Itch.io por pressão indireta dos processadores, tornou-se um símbolo dessa onda. Uma petição no Change.org que exige que as empresas de pagamento parem de controlar o acesso a conteúdo legal já acumula mais de 147.000 assinaturas, com o apoio público de Elon Musk, que propôs lançar sua própria plataforma de pagamentos.

Os desenvolvedores independentes foram os mais prejudicados. Muitos expressaram preocupação com o desaparecimento de conteúdo LGTB ou com o precedente que esse tipo de censura privada sem um marco legal claro estabelece. “Proibir conteúdo sexual nunca para por aí. Sempre acaba afetando outras formas de expressão”, alertou um criador afetado, segundo informou o The Guardian.

Desde o Collective Shout defenderam sua ação. Sua diretora, Melinda Tankard Reist, assegurou que a eliminação em massa não era o objetivo, mas que os processadores têm o direito de definir que conteúdo permitem, segundo sua “responsabilidade corporativa”.

Ainda assim, o temor persiste: o que vai acontecer quando forem as redes sociais, as plataformas de streaming ou os fóruns que tiverem que responder a pressões semelhantes? Para muitos, essa campanha marca um ponto de inflexão na luta pela liberdade digital.