Os golpes por meio de chamadas telefônicas têm se tornado “moda” nos últimos tempos, e alguns dos truques usados pelos golpistas demonstram ser eficazes, apesar das notícias que os descrevem quase diariamente.

Um dos golpes mais frequentes nos últimos tempos é o “conto do advogado”. Nesses casos, a vítima é contatada por uma pessoa que se passa por um familiar ou alguém próximo a este e narra uma história terrível. O exemplo clássico consiste em dizer que a pessoa atropelou uma grávida, e que ela morreu ou perdeu o bebê.

Nesse momento, e diante do nervosismo da vítima, pede-se dinheiro para “resolver o problema” antes que chegue à esfera da Promotoria e o envolvido vá para a prisão. Assim que conseguem que a vítima caia no golpe, exigem que ela não desligue a comunicação em nenhum momento, pois, se o fizer, o “acordo” termina imediatamente.

Nesse contexto de angústia, a vítima segue as instruções do golpista e entrega o dinheiro a um cúmplice que se apresenta em sua casa ou em algum lugar indicado.

Esse tipo de golpe foi o que sofreu recentemente uma moradora da cidade de Pando, que foi entrevistada pelo meio local El Megáfono e narrou a desagradável experiência vivida.

De acordo com seu depoimento, a manobra começou com uma ligação para seu telefone fixo. Um homem informou que seu sobrinho havia atropelado uma jovem que estava em estado delicado, e que o sobrinho em questão e sua mãe estavam envolvidos no caso.

“Me disseram para não desligar o telefone, que meu sobrinho estava preso e que não sabiam se ele pegaria dois anos ou treze. Me pediam dinheiro para resolver o problema”, relatou a vítima.

Os golpistas mantiveram contato permanente com a mulher por meio de chamadas ao seu celular, indicando os passos que ela deveria seguir para conseguir dinheiro e advertindo-a para não comentar o ocorrido com familiares ou pessoas próximas.

Em um primeiro momento, a vítima entregou 10.000 pesos que tinha em sua residência. Depois retirou outros 10.000 pesos de uma instituição financeira, mais 10.000 de um banco e, por fim, obteve um empréstimo de 48.000 pesos. No total, acabou entregando 78.000 pesos.

“Eu realmente acreditava que era verdade. Pensava no meu sobrinho, nos filhos dele, na minha cunhada. Fizeram a minha cabeça e eu caí”, expressou.

Segundo contou, o dinheiro foi entregue em duas ocasiões, em uma esquina próxima à sua casa, localizada na região das ruas Iturria e Pargas.

A vítima apontou que quem retirou o dinheiro foi um homem que se deslocava em uma motocicleta preta, com capacete branco, jaqueta escura e calça clara. No entanto, ela não conseguiu identificar a placa do veículo.

O caso está sendo investigado pela Chefatura de Polícia de Canelones.