A artista de Paysandú Agustina da Fonseca, conhecida no departamento litorâneo por sua atuação em comédia musical e dança, publicou nas redes sociais o relato de uma experiência desagradável que viveu a bordo de um ônibus intermunicipal.
A mulher viajava de Montevidéu para Paysandú e, a poucos quilômetros de chegar ao destino, foi vítima de uma situação de assédio sexual.
“Sentei no meu assento, e pouco depois um homem sentou ao meu lado, embora aquele lugar não fosse dele. Desde o início me senti desconfortável, porque percebia que ele se aproximava demais de mim”, relatou da Fonseca em uma publicação no Facebook que viralizou.
“Cerca de 40 minutos antes de chegar a Young comecei a acordar... e senti a mão dele tocando minha entreperna. Reagi imediatamente: tirei a mão dele, gritei e chamei, desesperada, o cobrador. Estava sufocada pelos nervos e pela indignação. O homem negava tudo. O cobrador o mudou de assento, mas eu me sentia sozinha, tremendo, e sem entender como ninguém fazia nada”, relatou a atriz.
“Por sorte, algumas mulheres se aproximaram, conversaram comigo, me acompanharam e me convidaram para sentar com elas. Elas me fizeram sentir menos sozinha. Tiraram uma foto do homem e o confrontaram. Graças a elas, recuperei um pouco de segurança”, contou.
“O ônibus parou e chamaram a polícia. Fomos à delegacia de Young: ele foi levado em uma viatura, e eu fui acompanhada por essas duas mulheres que não soltaram minha mão. Depois, o ônibus voltou para nos buscar e seguir viagem até Paysandú”, escreveu.
“Compartilho isso porque é preciso falar sobre o assunto. Porque sou mãe, porque trabalho com meninas, porque isso acontece todos os dias e muitas vezes é encoberto”, acrescentou da Fonseca, que detalhou que a empresa Copay, proprietária do ônibus, “está tomando medidas para melhorar a segurança”.
Segundo informou o jornal de Paysandú El Telégrafo, a Chefatura de Polícia de Río Negro emitiu um boletim policial relatando o ocorrido em termos semelhantes aos expostos pela denunciante.
Posteriormente, a Justiça determinou medidas cautelares que consistem na proibição de comunicação do indivíduo com a vítima por qualquer meio ou por intermédio de terceiros, bem como a aproximação em um raio de exclusão de 500 metros pelo prazo de 180 dias. O caso foi comunicado ao Ministério Público e o indivíduo foi convocado para comparecimento.
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